Solte os remos…

24 02 2010

 

O post sobre a Mansuetude recebeu muito comentários, todos deliciosos e cheios de esperança. Agradeço a todos por esses comentários, eles me motivaram ainda mais a continuar escrevendo sobre sentimentos, pessoas… amores!

Reproduzo aqui uma citação que veio junto com um desses comentários:

“Às vezes, quando o vento da renovação começa a uivar,não temos certeza de que as transformações serão para melhor.

A Providência Celestial tem um plano só para nós e as ventanias nos conduzirão aonde precisamos ir. Devemos retirar os remos da água e confiar na embarcação divina.”

#Hammed

Como espírita, acredito em cada palavra desta citação, mas sei como é difícil soltar os remos e ir aonde devemos ir. Dá um medo danado!!!

Veja bem, esta citação não nos incita a deixar a vida acontecer sem nossa participação, muito pelo contrário, ela nos incita apenas a aceitar o inevitável, a deixar acontecer o que precisa acontecer, e desta maneira, ser o autor corajoso de nossa história e principalmente a aceitar o novo, mesmo que este novo venha com a força e o medo que as tempestades nos provocam.

Aprendi com a dor da perda, que devemos aceitar os acontecimentos, mesmo ou principalmente quando nos foi imposto pelo outro ou pelas circunstancias da vida.

É exatamente neste momento que o maior crescimento pessoal pode acontecer e enfim, está acontecendo comigo. Demorei muito a soltar os remos, ainda procuro por eles muitas vezes, tento frear o inevitável, parar os acontecimentos, evitar a dor.

Essa coisa da dor tem muito a ver com o fato de ser mãe, ver o sofrimento dos filhos é pior que sentir o próprio e isso algumas vezes me desespera, mas sei que eles também precisam soltar os remos. Mas é isso, sou mãe, acima de tudo nesta vida eu sou mãe, também demorei muito para assumir isso, assim publicamente, como se esta escolha fosse alguma vergonha. É que me foi dito, sem palavras, por alguém muito importante para mim, que este foi meu grande erro, quase acreditei… Quase me envergonhei desta escolha!

Sou mulher, sou jornalista, sou blogueira, sou designer, sou produtora e em breve serei professora novamente. Ah!Sou estudante, começo minha pós em moda no mês que vem. Mas acima de tudo, sou mãe e foi sendo mãe que aprendi a soltar os remos e foi soltando os remos que virei blogueira,designer,e tive coragem de voltar a escrever e a estudar…Sim,o novo pode trazer coisas maravilhosas, pode vir com muita dor,mas também nos dá muita coragem. O novo pode até trazer o velho remodelado, reconstruir o destruído e desnudar o escondido, acho que foi assim que voltei a ser jornalista, desnudando o medo de escrever, de ser julgada.

 Tem uma música dos #Paralamas do Sucesso, escrita por #Herbert Viana, que diz, Para que a dor possa sempre mostrar algo de bom. Hoje eu sei que a dor tem esta obrigação, a de trazer algo de bom. E esse bom, normalmente é a maturidade e a mansuetude….

um amor, um lugar – Herbert Viana  (link para youtube)

Desde pequenos meus filhos me escutam dizendo “Para Deus, não importa o que acontece com você, importa, o que você faz com o que acontece com você.” E é isso que vai fazer você ser digno de concretizar seus sonhos, realizar seus desejos e anseios mais íntimos. Não tenha medo de sonhar e desejar, tudo pode acontecer!

Portanto, solte os remos, deixe o vento te levar aonde precisa ir, deixe o novo mostrar sua cara, deixe a dor cumprir sua obrigação e confie. Tudo vai acabar bem… Isso é bem coisa de mãe,né? Mas, confie na palavra desta sobrevivente que precisou perder os remos para soltá-los, ficou a deriva e hoje segue digna enfrentando o novo, amando o velho, curtindo o hoje e cheia de esperança no amanhã!

Cynthia,minha amiga, este é pra você.E é também para meus filhos -a maior novidade da minha vida!

Post: Cristina Morais

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Do Bem

16 01 2010

Uma questão de Ego

Faz algum tempo que venho lendo e estudando a influência do ego em nossas vidas e em nossas atitudes. Colin Powel disse uma vez que “é interminável a quantidade de coisas que podemos fazer quando não nos importamos para quem vai o crédito”. (citação do livro Minha jornada Americana-Colin Powel)

 Lendo a coluna da Barbara Gancia (sou fã de carteirinha) na Folha de São Paulo, me deparei mais uma vez com a questão do ego, desta vez de uma forma trágica. Barbara comentava sobre a triste morte da Dra. Zilda Arns no terremoto do Haiti. Uma perda enorme para a humanidade e para nossa sociedade já tão desfalcada de verdadeiros herois. Perda, segundo Gancia e acredito que todos concordamos, que se pode comparar com a morte prematura de Sérgio Vieira de Mello no Iraque. Ambos longe de casa, ambos perto de seus ideais, mesmo que estes ideais os levassem aos redutos mais pobres e violentos do planeta.

E muito  provavelmente apenas as pessoas diretamente ligadas à Dra Arns ou Dona Zilda,como carinhosamente era chamada, na Pastoral da Criança deveriam saber que ela estava em Porto Principe, tratando de assuntos referentes à entidade e aos mais necessitados. Ainda, segundo a coluna de Barbara Gancia, nem mesmo o sobrinho dela o senador Flávio Arns , que passou a natal com a tia sabia da viagem.

E é exatamente isso que me pegou fundo no coração, ou por que não, no ego, e é isso que mais tenho ouvido em palestras e livros sobre o assunto citado. Zilda Arns foi fazer o que tinha que ser feito e isso não era dá conta de niguém, foi fazer o que acreditava e o fazia por consciência, por descência, por ideal e não para aparecer nas manchetes de revistas e ser celebrada como celebridade. Aliás posso imaginar a surpresa de inúmeros  aspirantes a celebridade que  devem achar isso uma perda de tempo, imagine se meter em um pais pobre e cheio de problemas e ainda correr riscos pessoais sem contar pra niguém?!!?? Qual a serventia disso? Bom, na verdade muitas dessas “celebridades” nem devem saber da existência da Dra Arns e tbm que difrença faz eles saberem ou não? Dúvido que eles aprendessem alguma coisa com ela…tudo muito complexo …

Eu, pessoalmente acho isso maravilhoso,  de uma dignidade e altruismo que me inspira a continuar lendo e estudando até descobrir uma maneira de manter meu ego no lugar dele, coisa que confesso, ainda não sei sem aonde é, mas, com certeza deve ser bem mais escondido do que o lugar que ele ocupa hoje.

Bom, desta lição me lembrarei todos os dias com certeza. Obrigada Dra. Zilda Arns, por cuidar de nossas crianças, nos ensinar sobre solidariedade e ainda, nos lembrar do nosso lugar neste imenso universo.